Open Mind
Um pequeno lugar com idéias de Thiago Elias
Um pequeno lugar com idéias de Thiago Elias
Sep 25th
Toda aeronave precisa de energia para seus procedimentos básicos em solo, seja aquela comunicação pelo rádio, ajuste dos sistemas de navegação ou qualquer situação que preceda o voo. Em aeronaves maiores é comum utilizar a GPU (Ground Power Unit, que é fornecida pelos geradores de energia em solo) ou a APU (Auxiliary Power Unit), que de modo geral é um motor extra para gerar energia, localizado dentro da aeronave, em sua parte traseira.
O grande problema da GPU, é que nem todo aeródromo dispõe deste serviço, sendo necessário então que a aeronave tenha seus próprios meios para gerar energia, mas o que acontece quando temos por exemplo uma aeronave da família ATR, que não tem APU ?
Os ATR’s são aeronaves turbo-hélice divididos em 6 principais modelos, (ATR42-300, ATR42-500, ATR42-600, ATR72-200, ATR72-500 e ATR72-600), de grande rentabilidade em rotas regionais, sendo operados no Brasil por empresas como Trip e Azul Linhas Aéreas.
Esta família de aviões não possui a APU, para economizar em espaço e peso, sendo assim, foi criado o Hotel Mode. Este modo consiste em gerar energia através de um dos motores principais da aeronave, que é ligado através dos recursos energéticos providos pela bateria e de uma bomba hidráulica auxiliar. O grande problema, é que teoricamente ao se ligar o motor, as hélices giram, o que não é recomendável em solo antes do real momento do acionamento, sendo assim, o ATR também conta com um sistema de freio das pás das hélices, conhecido como Prop Break.
Para efetuar o acionamento em modo Hotel, é necessário ativar o Prop Break para que as hélices não comecem a girar. (Fato que poderia ocasionar acidentes). Quando enfim o motor é acionado, tem-se automaticamente energia e ar pelo tempo que precisar (e o combustível permitir), sendo possível realizar todas as tarefas de solo necessárias.
O motor escolhido para o modo Hotel é o número #2 (do lado direito), pois este fica do lado oposto às portas de passageiros e carga, e mesmo que a hélice fique imóvel durante o procedimento, há sempre um cuidado para que ninguém se aproxime deste motor, pois em caso de falha do Prop Break isso poderia ser fatal.
No vídeo abaixo, é possível ver o acionamento de um ATR-72 da Azul Linhas aéreas. No momento do vídeo, o motor #2 já se encontra com o Prop Break desativado, iniciando o acionamento do motor #1.
Sep 12th
Não costumo ter grandes problemas com usuários, até mesmo porque acho que o melhor caminho para o sistema ideal é ter um bom relacionamento com eles. É importante ouvir suas críticas e sugestões, seja naquele telefonema chato, ou naquele momento do café. Já tive a oportunidade de conseguir muitas informações relevantes nesses momentos, as quais foram o diferencial em todo processo de análise e desenvolvimento.
Também é importante ser duro quando necessário. Não é possível atender todas as requisições dos usuários, pois durante a análise é muito importante não só ver o que ele precisa, mas também identificar processos que podem ser melhorados com o uso de seu sistema. Isso é difícil, pois normalmente as pessoas não estão abertas a mudanças na forma de trabalhar, então é necessário muita conversa e paciência para convencê-los de que fazer tudo, extamente da forma que eles imaginam, não é criar uma solução e sim informatizar o problema.
O relacionamento entre as partes normalmente não é fácil. É bem verdade que em muitas situações nós desenvolvedores tendemos a colocar a culpa no usuário, como certamente o usuário também faz o mesmo em relação à outra parte. Certa vez ouví uma usuária dizer que era um absurdo, em tempos modernos onde as pessoas conversam pela internet, não conseguir fazer um simples cadastro, mas esta não viu que na verdade, ela estava sem rede em seu próprio computador, impossibilitando o acesso ao nosso sistema.
Enfim, temos sempre que lembrar que os usuários são extremamente importantes para qualquer profissional de T.I, pois afinal, ele é quem vai utilizar seu sistema ou serviço e também pagar por ele. Mesmo que em determinadas situações seja necessário ter paciência, temos que lembrar que todos nós desenvolvedores também somos usuários de outras aplicações.
Lembrem-se: Se as pessoas não tivessem a necessidade de utilizar sistemas de computador, não teríamos a nossa profissão.
May 31st
A aviação é cheia de regras que visam manter principalmente a segurança nas operações. Através delas é que foi possível chegar ao nível de confiança atual, não havendo outro meio de transporte mais seguro e eficaz.
Uma das regras mais importantes, o Sterile Cockpit, foi regulamentado em 1981 pelo FAA (Federal Aviation Administration), que é o órgão governamental regulador da aviação civil nos Estados Unidos.
O Sterile Cockpit foi definido como forma de evitar acidentes que ocorrem por momentos de distração na cabine de comando em momentos críticos, que são: Operações em solo como taxi, Decolagem, Aproximação e em geral, abaixo de 10 mil pés acima do nível do mar, ou no caso de aeroportos em níveis elevados, 10 mil pés acima do solo.
Nestes momentos, é necessário que a tripulação técnica esteja totalmente concentrada nos procedimentos, pois segundos de distração, como uma conversa corriqueira, ou um Speech para os passageiros, podem levar a consequências desastrosas.
Em 12 de fevereiro de 2009, um trágico acidente no vôo Colgan 3407 ceifou a vida de dezenas de pessoas principalmente pelo fato de a tripulação técnica não respeitar as regras de Sterile Cockpit. Já na fase de aproximação, os pilotos não foram capazes de gerenciar os procedimentos, não notando uma grande perda de velocidade em decorrência do abaixamento do trem de pouso, perdendo então a sustentação. Por ser uma fase crítica, já próximo ao solo, a recuperação do Stall era muito difícil.
Em uma situação crítica, estão proibidas conversas que não são relacionadas ao procedimento em questão, chamadas de rádio não relacionadas com a segurança, speeches ou conversações desnecessárias com a Tripulação de cabine. Porém, há situações em que é permitido quebrar a regra do Sterile Cockpit, como fogo na cabine, vazamento de combustível, emergência médica ou barulhos e ou vibrações anormais.
É por isso que quando você está em um avião, nota que o comandante leva um bom tempo para fazer seu pronunciamento para todos os passageiros após uma decolagem. Antes disso ele estava cuidando da segurança de seu voo em um dos momentos mais críticos para que você chegue em total segurança ao seu destino.
Thiago Elias
Referências:
DARBO, John H.; BEBER, Frank. A importância do cumprimento do “Sterile Cockpit”. TAM Safety Digest, São Paulo, v. 1, n. 1, p. 24-28, 1999.
BETING, Gianfranco. “Nós caímos” – A saga do Colgan Air 3407. Disponível em: <http://www.jetsite.com.br/2008_v35/AcidenteBlackbox.aspx>. Acesso em: 31 mai. 2011.